NOTÍCIAS DO DIA

Guedes também mete a mão na Educação, a diretora que descobriu motivo de alunas faltarem todo mês (dica: falta de absorventes, que Bolsonaro vetou distribuição gratuita), e mais:

Por sexta-feira, 8 de outubro de 2021

O Plano Nacional de Educação deve ser defendido e sua defesa faz parte do Plano de Ações deliberado pelos delegados ao 10º Congresso da Fepesp. Conheça o Plano de Ações, engaje-se!
Veja aqui: https://bit.ly/3moTWBo 

 

 

Planos para a educação devem enfraquecer professores e beneficiar negócios de Guedes
Agência Pública; 06/10
https://bit.ly/3v0BAun

Guedes já se mostrou disposto a influenciar diversas áreas do governo, e com a educação não deve ser diferente. Foi dele, por exemplo, a ideia dos vouchers, segundo reportagem da revista Piauí. O sistema foi testado na Universidade do Chile, onde Guedes deu aulas, à época sob intervenção da ditadura de Augusto Pinochet.

A influência de Guedes no futuro das políticas educacionais, contudo, pode ter motivações que vão além de sua visão neoliberal da economia. O futuro ministro atuou com investimentos no setor de educação privada e de educação a distância.

 

ESPECIAL DIA DOS PROFESSORES

União cita ‘restrição a liberdade de expressão’ após decisão que impede críticas a Paulo Freire
O Globo; 08/10
https://glo.bo/3AiuS3W

A Advocacia-Geral da União apresentou ontem à Justiça Federal do Rio contestação sobre a decisão que impede o governo federal a criticar o educador Paulo Freire.

Como se sabe, a Justiça concedeu liminar, após pedido do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, determinado que os agentes públicos “se abstenham de praticar qualquer ato institucional atentatório a dignidade do professor Paulo Freire na condição de Patrono da Educação Brasileira”.


Paulo Freire, o mentor da Educação para a consciência
Nova Escola; 07/10
https://bit.ly/3Bt5OZp

Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político.

Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

 

 

História: primeira deputada negra do Brasil criou o Dia do Professor em 1948
UOL/History; 05/10
https://bit.ly/2YvkFo6

A partir de 1963 o Dia do Professor passou a ser comemorado oficialmente em 15 de outubro em todo o Brasil. Mas a data já era celebrada em Santa Catarina desde 1948 por iniciativa de Antonieta de Barros, a primeira mulher negra a ser eleita deputada no país (foto abaixo). Professora por formação e filha de uma ex-escrava, ela teve papel fundamental na luta pela igualdade racial e pelos direitos das mulheres.

O dia 15 de outubro foi escolhido como Dia do Professor em referência à data em que o imperador D. Pedro I instituiu o Ensino Elementar no Brasil, em 1827. No ano de 1947, o professor paulista Salomão Becker já havia proposto a criação de um dia de confraternização e homenagem aos professores. No ano seguinte, Antonieta de Barros apresentou à Assembleia Legislativa catarinense o projeto de lei que criava o Dia do Professor (veja decreto abaixo). Somente 15 anos depois é que a data passou a ser oficializada em todo o Brasil, após a assinatura de um decreto do presidente João Goulart.

A trajetória de vida de Antonieta de Barros é admirável. Nascida em Florianópolis, em 1901, ela teve uma infância difícil. Após ser libertada da escravidão, sua mãe trabalhou como lavadeira e, para completar o orçamento, transformou sua casa em pensão para estudantes. O pai de Antonieta, um jardineiro, morreu quando ela ainda era menina.

Foi convivendo com os estudantes na pensão de sua mãe que Antonieta se alfabetizou. Aos 17 anos, entrou na Escola Normal Catarinense, concluindo o curso em 1921. No ano seguinte, fundou o Curso Particular Antonieta de Barros, voltado para a educação da população carente.

Antonieta também trabalhou como jornalista, sendo fundadora do periódico A Semana, que circulou entre 1922 e 1927. Por meio de suas crônicas, divulgava ideias ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito.

Em 1934, na primeira vez em que as mulheres brasileiras puderam votar e se candidatar, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense, elegendo-se deputada estadual. Uma das principais bandeiras de seu mandato foi a concessão de bolsas de estudo para alunos carentes. Ela exerceu o mandato até 1937, quando começou o período ditatorial de Getúlio Vargas. No mesmo ano, sob o pseudônimo Maria da Ilha, escreveu o livro Farrapos de Idéias.

Em 1947, após o fim da ditadura Vargas, ela se elegeu deputada novamente, desta vez pelo Partido Social Democrático, cumprindo o mandato até 1951. Antonieta nunca deixou de exercer o magistério. Ela dirigiu a escola que levava seu nome até morrer, em 1952. 

 

POLÍTICA EDUCACIONAL

Opinião: ‘Universidades, Covid e a aposta no futuro’
Folha de S. Paulo; 06/10
https://bit.ly/3FsnKFQ

Por Ana Maria Carneiro, Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Unicamp, e outros: “Se os paradigmas da forma de ensinar nas universidades brasileiras não se transformarem com essa dura experiência da pandemia, estaremos perdendo a oportunidade de alinhar as práticas educacionais contemporâneas com aquilo que já tem sido a forma de aprender dos jovens.

Centrar, agora, o debate do ensino superior exclusivamente em como retornar ao presencial, como se praticava antes da Covid-19, nega as evidências em favor de estratégias educacionais variadas, que se complementam, o que vinha se acumulando antes e se acentuou durante a pandemia”.

 

Doutorando da Unesp é finalista do ‘Nobel da Educação’
Agência Fapesp; 06/10
https://bit.ly/3BDhBEN

O doutorando da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Greiton Toledo de Azevedo (foto) é o único professor brasileiro entre os 50 finalistas do Global Teacher Prize de 2021 (veja aqui), premiação anual criada pela Fundação Varkey para valorizar trajetórias docentes notáveis e com impacto social mundo afora.

Popularmente batizado de “Nobel da Educação”, o Global Teacher Prize está em sua sétima edição e concede anualmente ao professor vencedor um prêmio de US$ 1 milhão, liberado ao longo de dez anos, para ser aplicado na continuidade das ações do projeto premiado. Azevedo foi escolhido entre os top 50 em meio a milhares de submissões, de 121 países diferentes. É o oitavo brasileiro a chegar entre os finalistas. Até agora, nenhum professor do país conquistou a premiação.

 

CORONAVÍRUS

CPI da Covid tem ‘muitas provas’ de que o presidente foi aliado do vírus
Rede Brasil Atual; 07/10
https://bit.ly/3ll63jw

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que uma das constatações mais “duras” a que chegaram as investigações da comissão parlamentar foi a de que muitas das 600 mil mortes causadas pelo novo coronavírus poderiam ter sido evitadas. “Trouxemos estudos com números incontestáveis.

Perguntado pelo Brasil de Fato Entrevista se a CPI dispõe de provas relevantes que não vieram a público, Renan responde: “Existem muitas provas”.

 

Covid: a busca de parâmetros para a volta da normalidade
Nexo; 07/10
https://bit.ly/3Dm8Oav

Capitais como Rio de Janeiro e São Paulo já anunciaram metas para flexibilizar nas próximas semanas o uso de máscaras em ambientes externos e voltaram a sinalizar que devem permitir a realização do carnaval em 2022. Os anúncios têm se baseado no avanço da vacinação e na queda das internações por covid-19. Duque de Caxias (RJ) aboliu as máscaras em qualquer situação a partir de quarta-feira (6).

Apesar da melhora na evolução da doença, muitos especialistas afirmam considerar imprudente retirar a exigência das máscaras no atual momento, com uma média de quase 500 mortes por dia no país, e anunciar a liberação das festas com tantos meses de antecedência. Entre os cientistas, há um consenso de que o novo coronavírus não irá desaparecer e continuará circulando em níveis baixos e previsíveis no futuro.

 

A diretora que descobriu o motivo de alunas faltarem todo mês: a pobreza menstrual
Estadão; 07/10
https://bit.ly/2WS2JmA

Ao se tornar diretora de uma das escolas com maior evasão escolar da cidade baiana de Camaçari em 2010, Edicleia Pereira Dias (na foto acima) se juntou a outros colegas da educação para descobrir o porquê daquela situação. A primeira hipótese era o trabalho infantil, mas havia algo mais, e a resposta veio apenas dois anos depois.

O motivo foi percebido durante a análise de um gráfico gerado após a equipe começar a incluir as ausências em planilhas. O programa de computador mostrava um padrão comum às meninas: elas faltavam mensalmente e por dias consecutivos. A secretária que atendia a beneficiários de programas sociais chutou a resposta, que se mostraria verdadeira: o período menstrual.

A “pobreza menstrual” era um tema de pouca repercussão na época, e tampouco era tratado em tantos projetos de lei como hoje, a exemplo do vetado nesta semana pelo presidente Jair Bolsonaro (de distribuição de absorventes para pessoas de baixa renda). E também era menos ainda associada ao cotidiano de meninas.

 

Bancada feminina se articula para derrubar veto de Bolsonaro e garantir distribuição de absorventes
Estadão; 07/10
https://bit.ly/3DhPJGq

A bancada feminina do Congresso Nacional se articula para derrubar os vetos que o presidente Jair Bolsonaro aplicou sobre o projeto de lei de combate à pobreza menstrual. O chefe do Executivo decidiu vetar trechos essenciais da proposta que previa a oferta gratuita de absorventes femininos e outros cuidados básicos de saúde menstrual.

A previsão era de que o item passasse a ser distribuído sem custos a estudantes de baixa renda de escolas públicas, mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema e presidiárias. O texto já tinha sido aprovado pela Câmara e pelo Senado. Agora, com os vetos do presidente, o projeto de lei volta ao Congresso, que poderá derrubar esses vetos e restabelecer a proposta original.

Há impactos ainda na educação: 28% das mulheres já deixaram de ir às aulas por não conseguirem comprar um absorvente. 48% destas escondeu que o motivo foi a falta de absorventes, enquanto 45% das meninas que faltaram nas aulas disseram que isso afetou negativamente o seu rendimento escolar.

Mais de 4 milhões de meninas (38,1% do total das estudantes) frequentam escolas com a privação de pelo menos um desses requisitos mínimos de higiene. Estudantes perdem até 45 dias de aula devido à pobreza menstrual.